Comentário do Evangelho de Mateus 1.1
Pastor Rafael Vieira ( https://faelvieirasilva.com.br/post?pos=1840131628 )862 visualizações.
/prrafaelvieira
O EVANGELHO SEGUNDO
Mateus
1 Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
NTLH - Esta é a lista dos antepassados de Jesus Cristo, descendente de Davi, que era descendente de Abraão.
BJC – Esta é a genealogia de Yeshua, o Messias, filho de David, filho de Avraham:
“Livro da genealogia de Jesus Cristo” ARC; “Esta é a genealogia de Yeshua, o messias[1]"BJ. Como um livro direcionado primariamente aos Judeus Mateus inicia seu relato trazendo uma informação vital para os leitores, pois sendo Jesus o Messias esperado [Yeshua] Ele precisa descender de Abraão e Davi. Entre as ideias elucidadas para esta menção adotaremos a que esta expressão faz introdução a história de Jesus que será contada a partir de então não se restringindo a informar os ascendentes. A escrita utilizada pelo autor é semelhante a outras encontradas nas escrituras (Gênesis 6.9; 11,27) que informam a linha genealógica como ponto de partida para transmitir a história e os feitos da pessoa bíblico. “Esta linhagem de Abraão a Jesus, através dos reis da casa de Davi, tem a intenção explícita de apresentar os direitos de Jesus ao trono de Davi. Ainda que o trono estivesse vago por quase seis séculos, ninguém poderia esperar a devida consideração dos judeus para com o Messias se ele não pudesse provar sua ascendência real.[2]”
☼ ge-ne-a-lo-gi-a: Exposição cronológica da filiação de alguém cujas investigações possibilitam o conhecimento de sua descendência a partir de seus ancestrais. Livro o dicionário Strong relata: “referindo-se a uma tabela ou catálogo genealógico (Mt 1.1; LXX: Gn 5.1)
Genealogia – Para este trecho; “Livro da genealogia de Jesus Cristo...” há interpretações distintas. (1) É vista como título de todo o livro de Mateus, sendo o nascimento de Cristo, o verbo vivo encarnado, o próprio Deus (YHWH) habitando entre nós, o ponto estrutural fundamental que sustenta os demais acontecimentos da vida de Jesus. (2) Faz referência aos dois primeiros capítulos que tratam do nascimento do Emanuel (Jesus). (3) Como título exclusivo para o primeiro capítulo. (4) Como foi considerado por Grotius, Calvino e outros teólogos modernos, é uma referência apenas ao primeiro capítulo do versículo um ao dezessete. Como foi dito anteriormente, esta forma de comunicação foi empregada em outros pontos das escrituras, confirmando o 1º sentido de interpretação sendo possivelmente o autor tinha como proposta apresentar a genealogia de Cristo para introduzir os relatos posteriores, sendo esta forma de relato já conhecida por parte do povo Judeu.
Jesus (Hebraico; “Jehoshua” que passou a ser; “Jeshua” e significa “Jeová, o Salvador”) é o nome histórico, com muita importância para a compreensão sobre as promessas que permeiam a vida de Cristo, o evangelho de Mateus, “mais do que qualquer dos outros evangelistas, ele cita com frequência o AT. Aparecem 29 citações. Em 13 delas, ele diz que o acontecimento se deu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta”[3]. As profecias do AT o apontaram e Ele viveu de forma que validou os relatos e, além disto, há duas pessoas que são identificadas como um “tipo de Cristo” no Antigo Testamento (AT) e que possuem o nome “Jesus”. O sumo sacerdote Josué (Zacarias 3.1), ilustra Cristo como nosso sumo sacerdote (Hebreus 5.5) e “Josué, filho de Num” é o tipo de Cristo que capitaneia a libertação do povo.
Cristo é nome equivalente ao Yeshua (Messias) hebraico que significa “o ungido” trazendo como indício do seu ofício. Há indícios que ambos os nomes não foram utilizados com regularidade, até depois de ocorrer a ascensão, como nome próprio. Devido ao contínuo uso passou a ser observado como “nome próprio” mesmo não tendo essa função gramatical, contudo, visto como o seu significado é interligado com o nome Jesus pois os reis, sacerdotes e profetas possuem o direito de serem ungidos como confirmação do cargo que ocupam. Jesus exerce sua função como sacerdote, profeta e Rei dos reis e é reconhecido como “o Cristo” sendo distinguido de todos os demais, a unção que está sobre Ele libertou cativos, trouxe vista ao cego, vida aos mortos, salvação para os perdidos e levou sobre si as nossas dores, sua unção quebrou o julgo e nos alcança continuamente. (João 9.5-11: “Enquanto eu estou no mundo, eu sou a luz do mundo [...] Ele respondeu e disse-lhes: Um homem chamado Jesus fez lama, e ungiu-me os meus olhos, e disse-me: vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Tendo ido e me levado, eu recebi a visão.” BKJ ; Marcos 14.8: “Esta fez o que podia; ela antecipou-se a ungir o meu corpo para o sepultamento” BKJ ; Tiago 5.14: “Está alguém entre vós doentes? Chame os presbíteros da igreja e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;” ARC : Atos 10.38: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andava fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele.” BKJ )
Filho de Davi com objetivo especial de mostrar ao leitor que Cristo é o tão aguardado Messias que os profetas tinham predito. Esta declaração une Cristo a aliança que foi feita para Davi em 2 Samuel 7.8-13; “13. Ele edificará uma casa para o meu nome, e eu estabelecerei o trono do seu reino para sempre”. Ser descendente de Davi é um dos quesitos fundamentais para que Cristo seja aceito pelo povo Judeu como o Messias esperado. Jesus possuía as qualificações espirituais e humanas para que o reconhecessem como o Messias, segundo é relatado por Russel Norman Champlin (2002) a genealogia ficava registrada nos arquivos públicos e provavelmente fora utilizadas como fonte secundária para referência indicada no livro. Jesus é o verdadeiro Rei, contudo o povo Judeu replicava o que fora feito no pedido por um rei quando escolheram Saul, eles esperavam por um rei segundo os padrões humanos, que fosse por Israel como potência nacional novamente afastado Roma, contudo isto não aconteceu, o teólogo N. T. Wright relata de forma excepcional esta expectativa em se livro; “Simplesmente Jesus” publicado pela Thomas Nelson Brasil quando ele diz que a
Razão pela qual Jesus não era o tipo de rei desejado pelas pessoas naquela época é precisamente esta: Jesus era o verdadeiro rei. Contudo, elas haviam se acostumado com o tipo de rei comum, maltrapilho, de segunda categoria. Essas procuravam por um empreiteiro que construiria a casa que idealizara, porém, Jesus era o arquiteto, vindo com um novo plano que lhes daria tudo que precisavam, mas em um modelo bem diferente. Buscavam um cantor cujo tipo de música era entoada há tempos, mas Jesus era o compositor, trazendo-lhes uma nova música a que as canções antigas serviriam, na melhor das hipóteses, apenas de música de fundo. Ele era o rei, sim, mas viera para redefinir a natureza do próprio reinado em torno de sua própria obra, missão e destino.[4]
Filho de Abraão o que distingue a genealogia de Mateus da que foi apresentada por Lucas (Capítulo 3), foi o fato proposital de não ter continuado a linha genealógica porque o autor queria transmitir que a promessa realizada a Abraão, como pai da humanidade, estava se cumprindo em Jesus (Gênesis 12.7 – 17.7 – 22.18 ; Gálatas 3.16) e o salvador viria de Abraão. A linha genealógica apresentada em Lucas é mais profunda justamente pelo propósito que se define no livro, demonstrando que o ouvinte a ser alcançado exige uma adequação dos fatos importantes da mensagem que nos propomos a relatar sobre Jesus.
[1] (Bíblia Judaica Completa, 2010 p. 1219)
[2] (Comentário Bíblico Moody, 2017 p. 27)
[3] (Mears, 2007 pp. 384,385)
[4] (Wright, 2020 p. 24)
Referências bibliográficas
[1] (Bíblia Judaica Completa, 2010 p. 1219)
[2] (Comentário Bíblico Moody, 2017 p. 27)
[3] (Mears, 2007 pp. 384,385)
[4] (Wright, 2020 p. 24)

